Acho que estava só, mas qual o quê! Não há nada só neste mundo. Tudo e todos estão acompanhados de alguma coisa. Até a água tem lá duas moléculas de hidrogênio e mais uma de oxigênio para lhe fazer companhia. Você aí que pensa que está só, não está nada, é mentira sua. O que fazem esses dois olhos aí no seu rosto? E o seu lindo pescoço? Você tem duas mãos para escrever qualquer coisa ou dois pés para levá-lo ao botequim do Zé Bentim. Lá não só tem cachaça, tem café também. Escute os bêbados falarem, mas evite de entrar na deles. Sua alma está vazia? Virou vento? Mas vento é tão bom! Vento enche tudo, enche os pulmões, sem o vento o que seria de nós? Sua alma é um vácuo? Conheço pássaros que fazem seus ninhos nos vácuos, no oco, nas cavidades das árvores. Até no vácuo dá pra se fazer alguma coisa. Pare de reclamar ou sinta-se a vontade para dizer que está de saco cheio. Vivemos mesmo na cultura do ou/ou, reparou? Nós temos alternativas de montão. Qual o caminho certo? O pensamento correto? A grande saída? Sabemos como é a vida: nascemos para um dia morrermos. Para onde iremos? Cada um diz uma coisa. Mas, saber, sabemos? Quando a coisa é pra valer, a gente vê o quão ignorantes somos, não é mesmo? Quem se julga sábio, pode até o ser em determinadas e limitadas situações, mas quando ele se depara com essa questão do que será após evaporarmos, ou ele opta pelo silêncio, para não dizer na sua mais completa ignorância, ou mistifica-se, fica vago na filosofia, mete-se em matemática, complica-se na aritmética e dá um nó na metafísica. Bom mesmo e sentir-se bem, estar-se bem. Um dia desses eu estava, e era dia isso, depois do almoço acho, deitado, com o cobertor tampando o meu rosto para que a luz do dia não me roubasse a ilusão da noite, estava me sentindo tão bem que pensei comigo mesmo: isso é que é vida! Isso mesmo: sentir-se bem. Nada a me preocupar, leve, confortável, em paz. Depois, como sempre, chega alguém, o barulho da rua, os latidos do cachorro do vizinho, os neurônios ficaram se debatendo, o pugilato mental começou, achei melhor me levantar, já não estava mais me sentindo bem. Desconfio. As coisas não acontecem é porque não tinham que acontecer mesmo. Que em 1500, parte de Portugal uma poderosa esquadra, composta de 13 caravelas, chefiada por Pedro Álvares Cabral, acho que foi a primeira coisa que aprendi na escola. Hoje, dizem que através de estudos do DNA dos índios, dizem que eles são descendentes dos mongóis. Sendo assim, quem descobriu o Brasil, foram os mongóis. O problema é que os índios do Brasil sempre foram muito mansos. Genghis Khan era um mongol, foi o terror do mundo. Genghis Khan nunca perdeu uma batalha, conseguiu formar o Império mais vasto que encontramos na História. Estendia-se desde o Pacífico até à Europa Central. O cara era fera. Genghis Khan foi maior que César, Alexandre Magno, Napoleão, todos esses eram simplesmente fichinhas perto do Soberano Poderosíssimo Imperador Mongol. Genghis Khan fez o que quis na China, Rússia, Europa Central. E como é a vida, hoje os mongóis não são mais que um grupo insignificante de tribos sem qualquer influência de mando ou poder. E, hoje em dia, alguém mais se lembra de Genghis Khan? A galera hoje tá querendo saber o resultado da loteria, se tem algum lugar pra trabalhar, se o Real Madrid vai comprar tal ou qual jogador, se o Brasil vai ganhar a próxima copa. Futebol.
Ah! Futebol. Romário, que figura! Ronaldo, O Fenômeno! Meu Deus, idolatrar esses caras! Os caras não jogam pro time, o time é que joga pra eles. Esses caras só ficam esperando a bola chegar nos pés deles. De vez em quando dão sorte, e fazem algum gol, então, os narradores esportivos gritam “gênio!”; são os matadores. Assim é fácil demais, eles não correm, ficam só esperando a bola chegar até eles. No meu tempo, vi caras como Tostão e Zico. Esses sim eram jogadores. Eles corriam atrás da bola, faziam gols, suavam a camisa. Dizem que Tostão jogava até sem bola. Romário, Ronaldo, Tostão, Zico. A vida é engraçada, comparar malandro com gente séria. E olhe que há quem opte pelos malandros! Eu ia falar da ditadura militar. Mas, agora a ditadura é outra: é a ditadura da roubalheira. Sei, não. Zé Dirceu e o filho do Sarney mandam, e até a Martinha Supla manda lembranças. Fome, prioridade zero; casamento entre gays, prioridade máxima. Faz muito tempo que estou com essa mulher atravessada na goela, desde aquele lance do relaxa e goza. Pau nela. É pau nela, dona Nadinha, não é panela. Hum! Enquanto isso, João e Beto ouvem Beethovem. Ó, Álvaro! Alvaro, ouço um alvoroço. Quer saber? Vou sair por aí, dar uns passeios... paz, seios para todos. Depois volto para o almoço... há um moço. Assoalho? Né possível, vê se encontra outro tempero... puxa, há só alho!

Continuo lendo os seus textos que são bem criativos e interessantes. Já pensou em um livro?
ResponderExcluirBjos